Uma pequena semente, uma grande história
Em Itu, no pátio do Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, uma mangueira fez parte da vida de muitas gerações. Plantada em 1860 pela Irmã Maria Angelina Achard, religiosa francesa e uma das fundadoras do Colégio, a partir do caroço de uma manga que havia saboreado, aquela pequena semente cresceu, criou raízes profundas e se tornou uma presença marcante na história da Congregação e da cidade.
166 anos testemunhando a passagem do tempo
Por 166 anos, a mangueira acompanhou silenciosamente a passagem do tempo. Viu crianças chegarem ao Colégio, crescerem e seguirem seus caminhos. Acolheu Irmãs, estudantes, funcionários, famílias e visitantes. Sob sua sombra aconteceram encontros, conversas, momentos de silêncio, oração e contemplação. Seus galhos e frutos fizeram parte da memória afetiva de muitas pessoas.
Quando a árvore caiu
No dia 5 de setembro de 2026, depois de mais de um século e meio, a mangueira tombou. Sua queda não provocou vítimas, mas deixou uma profunda comoção. Afinal, não era apenas uma árvore que fazia parte daquele espaço. Era uma testemunha viva de uma história que atravessou três séculos.
Raízes que fazem parte da nossa história
Sua história também nos recorda as raízes da presença das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil. Uma pequena semente, plantada pelas mãos de uma religiosa, tornou-se uma árvore grandiosa. Talvez exista aqui uma bonita imagem para compreender também a nossa própria história: aquilo que começa pequeno, quando encontra terra fértil, cuidado e perseverança, pode crescer e produzir frutos que alcançam gerações.
Uma árvore que se tornou memória
A história da mangueira ganhou ainda um significado especial quando lembramos que, em 1958, por ocasião do centenário da chegada das Irmãs de São José de Chambéry ao Brasil, foi publicado um poema dedicado à árvore. Naquele momento, a mangueira já era símbolo de memória, esperança e continuidade. Décadas depois, suas raízes continuam nos falando.
A Criação nos ensina a cuidar
Neste Tempo da Criação, sua história nos convida a olhar de maneira diferente para a terra e para tudo o que nela vive. Uma árvore não é simplesmente um elemento da paisagem. Ela oferece sombra, alimento e abrigo; acolhe pássaros e pequenos seres; contribui para a vida e, ao longo dos anos, torna-se parte da história de uma comunidade.
Ao contemplarmos a mangueira caída, somos convidadas a reconhecer a Criação como dom e responsabilidade. O Papa Francisco nos recorda que tudo está interligado e que o cuidado com a nossa casa comum passa também por pequenas atitudes, por uma mudança de olhar e por uma relação mais respeitosa com a natureza.
O que permanece quando uma árvore cai?
A mangueira caiu, mas sua história não terminou. Permanecem suas raízes, suas lembranças, suas fotografias, o poema que lhe foi dedicado e, sobretudo, as muitas vidas que foram tocadas por sua presença. Talvez seja essa a sua última grande lição:
Nem tudo aquilo que cai deixa de existir. Há vidas que continuam dando frutos na memória e no coração de quem as recebeu.
Sementes para o futuro
Ao encerrarmos o Tempo da Criação, no dia 4 de outubro, somos convidadas a agradecer pela vida que recebemos e a perguntar:
Que sementes estamos plantando hoje?
Que raízes queremos deixar para as próximas gerações?
A velha mangueira de Itu nos recorda que cuidar é também uma forma de amar. Plantar é um ato de esperança. Criar raízes é assumir compromisso com o futuro. E deixar frutos é permitir que a vida continue para além de nós. A mangueira tombou, mas não caiu no esquecimento.
Sua história continua florescendo em nós.
Que sua memória nos ajude a plantar novas sementes de cuidado, fraternidade e esperança. E que aprendamos, com a própria Criação, a reconhecer que somos parte de uma grande casa comum, onde tudo está interligado e onde cada vida tem algo a oferecer.
Grupo de Comunicação – Pesquisa de fontes diversas
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