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HISTÓRIAS QUE FLORESCEM

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Memórias vivas de nossas Irmãs

 

Aos 99 anos, a vida continua sendo missão - Irmã Helene Peerenboom — Dinamarca

Uma história de fé, dedicação e cuidado com o próximo. Aos 99 anos, Irmã Helene continua atenta às pessoas ao seu redor, descobrindo, nos pequenos gestos cotidianos, novas oportunidades de amar e servir.

 

 

A vida aos 99 anos…

Uma entrevista com a Irmã Helene Peerenboom, que vive desde 2020 na casa de repouso Klostergården, em Copenhague, na Dinamarca.

 

A Irmã Helene nasceu na Alemanha, no verão de 1927, e chegou à Dinamarca em 1951 para ingressar na Congregação das Irmãs de São José. É membro da Congregação há mais de 70 anos. Formada em Enfermagem, trabalhou durante muitos anos no Hospital São José, em Copenhague, e como enfermeira de atendimento domiciliar para a prefeitura da cidade. De 1977 a 1980, esteve com nossas irmãs no Paquistão, onde também exerceu a profissão de enfermeira.

 

Irmã Helene, como é a vida aos 99 anos?

A idade não importa. Não me guio pelo que diz o calendário nem pela idade que tenho — não presto atenção a isso. Podemos ter a idade que sentimos ter.

Aqui na casa de repouso, continuo funcionando tão bem quanto quando era enfermeira. Não há diferença. Observo como as pessoas estão, como cuidam de si mesmas. Quando vejo que alguém precisa de ajuda, vou até essa pessoa e a ajudo. Por exemplo, quando alguém deixa cair a colher ou o garfo no chão, no refeitório, eu ajudo a pegar.

Não sou obrigada a fazer isso, mas observo o que acontece ao meu redor. Minha saúde não me limita. Quando vejo algum residente passando de um lado para o outro no corredor em sua cadeira de rodas, cumprimento-o e converso com ele. Percebo o que está acontecendo ao meu redor e, então, tomo uma iniciativa.

 

Como é sua rotina diária na casa de repouso?

Moro sozinha no meu apartamento. Levanto-me quando acordo e depois vou ao refeitório, onde encontro os funcionários e podemos conversar. Eles me recebem com carinho e já deixam a mesa preparada para mim. Sabem do que gosto de comer pela manhã. Quando chego, está tudo pronto. Não preciso pedir absolutamente nada... tudo acontece naturalmente.

Depois, tomo o café da manhã. Sou feliz aqui. Neste momento, consigo cuidar de mim mesma — não preciso de ajuda, mas, se precisar, posso chamar e os funcionários virão me atender.

Também administro meus medicamentos completamente sozinha. Tenho um pouco de orgulho disso!

Tenho também meu telefone, com o qual posso fazer e receber ligações. Gosto muito de assistir à televisão. Uso óculos, mas consigo ler facilmente sem eles, por isso não os utilizo quando leio o jornal da casa de repouso ou o boletim informativo da Região da Dinamarca.

Participo de tudo o que acontece aqui na casa de repouso. Há muitas atividades e eventos. Gosto de ir a concertos, assistir a filmes quando são oferecidos ou participar de encontros em que alguém vem fazer uma apresentação. Depois, procuro descobrir como posso aplicar aquilo que aprendi.

Também compartilho com os outros residentes o que ouvi ou os incentivo a participar comigo. Se quiserem, acompanho-os. Sempre cumprimento meus companheiros de residência com carinho e digo: “Bom dia!”. Aos domingos, digo: “Bom domingo!”.

E assim o dia transcorre, desde o café da manhã, passando por uma longa manhã, até a hora do almoço. Os horários das refeições nunca mudam. Temos uma rotina estabelecida. Depois, tomamos o café da tarde e, em seguida, é servido o jantar. Consigo seguir esses horários tranquilamente.

 

 

O que sua fé significa para você aqui na casa de repouso, onde vivem algumas irmãs e muitas outras pessoas que não são necessariamente religiosas?

Eu tinha um grupo regular de oração com uma irmã que, por causa de sua doença, não conseguia rezar sozinha. Ela faleceu há alguns meses.

Pela manhã, rezávamos a Liturgia das Horas e, à tarde, sempre rezávamos o Terço. Agora, rezo sozinha e mantenho minha rotina de oração.

Temos celebração da Santa Missa três vezes por semana.

 

Há pessoas aqui que são muito importantes para você?

Tenho um bom amigo aqui na casa de repouso, a quem visito regularmente. Seu nome é Steve. Ele tem 73 anos — 26 anos a menos do que eu; poderia ser meu filho! — e tem uma deficiência, além de sofrer de outras doenças que procura esconder.

Consigo perceber do que ele precisa. Eu o visito porque ele procura companhia e precisa dela. Ele está completamente sozinho. Eu sou a família dele. Ele diz que gostaria de morrer antes de mim, porque não quer ficar aqui na casa de repouso sem mim.

Uma vez por mês, participo de um encontro do grupo Fé e Luz, um movimento internacional e ecumênico que acolhe pessoas com deficiência intelectual, suas famílias e amigos.

O grupo se reúne na cidade, e eu pego um táxi para chegar até lá. Sempre começamos com a celebração da Missa, depois comemos juntos e, em seguida, temos um momento de meditação ou realizamos alguma outra atividade. Por fim, tomamos café juntos.

 

Gostaria de acrescentar mais alguma coisa para concluir?

Sim. A vida não é mais difícil do que costumava ser... apenas é diferente.

Entrevista realizada em 1º de outubro de 2026, por Irmã Gisela Heitz.

 

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