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  • Comissões Internacionais

    03 de Mai, 2013

    Defesa da Terra para os Povos Ribeirinhos


    Em retrospectiva, Ir. Elenice Buoro, Província de São Paulo, faz a releitura da missão desenvolvida nos anos de19 80 e que foi um sinal de luta por vida, justiça e paz. Segue a narrativa:

    “O pequeno povoado de São José dos Bandeirantes, à beira do rio Araguaia, rio que separa os Estados de Goiás e Mato Grosso, no centro-oeste do Brasil, começou a ser descoberto como lugar de turismo por causa das suas belíssimas praias fluviais. Esta vila, distante e isolada, era apenas lugar dos povos ribeirinhos, como é chamada a população que reside nas proximidades de rios e que sobrevivem da pesca e da agricultura familiar. Com a chegada dos turistas, as terras, na maioria ainda não legalizadas, começaram a ser objeto de cobiça. Pessoas ambiciosas e conhecedoras das leis forjaram documentos das terras habitadas pelos pobres ribeirinhos como se fossem eles os donos, ou seja, fizeram um roubo de terras através do cartório. Os ribeirinhos, que habitavam essa área por décadas, foram surpreendidos com a má notícia de que os turistas se tornaram os ‘donos’ de suas terras, da lavoura de onde provinha sua sobrevivência.

    Havia em Bandeirantes uma comunidade nossa, de Irmãs de São José. Diante desta situação, Ir. Júlia Cordeiro e eu começamos a conscientizar os ribeirinhos, reunindo-os e despertando-os para a defesa de seus direitos. Acostumados a rezar diante das necessidades prementes, os camponeses foram chamados a iluminar essa situação com a Palavra de Deus. O texto da vinha de Nabot (1Reis 21,1-25) se ajustou nesta realidade de usurpação de terras, e o grupo se fortaleceu nos passos da resistência.

    Nós, Irmãs, acionamos a Comissão de Justiça e Paz da Diocese e colocamos os ribeirinhos em contato com profissionais do Direito. Por várias vezes os acompanhamos até a cidade onde acontecia a sua defesa, cerca de três horas de distância. Vários processos correram por anos. Muitos obstáculos dificultaram a luta, mas os ribeirinhos não desistiram até reconquistarem o seu direito às terras usurpadas."
     




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